Dignidade que transforma: “Fluxo com Respeito” rompe o silêncio e acolhe adolescentes em Ananindeua
Secom
Falar sobre menstruação ainda é, para muitas meninas, atravessar o constrangimento, o silêncio e até a ausência de condições básicas. Em Ananindeua, essa realidade é transformada com sensibilidade e ação concreta, por meio do projeto municipal “Fluxo com Respeito”, uma iniciativa que vai além da entrega de absorventes: promove dignidade, informação e acolhimento.
Coordenado pela Secretaria Municipal de Cidadania, Assistência Social e Trabalho (Semcat), em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (Semed), o projeto foi instituído por meio da Lei n.º 3.201, de 13 de dezembro de 2021. A proposta é clara: combater a pobreza menstrual e garantir que meninas e adolescentes tenham acesso a produtos de higiene íntima, além de orientação sobre saúde e autocuidado.
CRAS Complexo, promovendo dignidade, informação e acolhimento.E foi com esse propósito que, nesta quinta-feira (30), o CRAS Complexo se encheu de escuta, troca e empatia. Em uma roda de conversa com adolescentes atendidas pelo projeto, histórias foram compartilhadas, dúvidas esclarecidas e, acima de tudo, vínculos fortalecidos. Ao final do encontro, houve a entrega de absorventes, um gesto simples, mas que carrega um impacto profundo na vida de quem muitas vezes precisa escolher entre itens básicos.
A secretária da Semcat, Francy Pereira, destacou a importância da iniciativa. “O ‘Fluxo com Respeito’ é mais do que uma política pública, é um compromisso com a dignidade das nossas meninas. A gente sabe que a pobreza menstrual afasta estudantes da escola, afeta a autoestima e limita oportunidades. Nosso objetivo é garantir que nenhuma menina deixe de viver plenamente por falta de acesso ao básico.”
Assistente social, Isabel Indira, reforça a importância do diálogo e da informação.A assistente social Isabel Indira reforçou o papel do diálogo. “Quando a gente abre espaço para conversar, a gente quebra tabus. Muitas dessas adolescentes nunca tiveram orientação adequada sobre o próprio corpo. Aqui, elas encontram acolhimento, informação e respeito.”
Débora Sofia, de 13 anos, diz que o projeto ajuda bastante.Entre as participantes, Débora Sofia, de 13 anos, adolescente atendida pelo projeto, resumiu o sentimento de quem se sente vista. “Antes eu tinha vergonha até de falar sobre isso. Hoje eu entendo melhor meu corpo e sei que não estou sozinha. Esse projeto ajuda muito a gente.”
A realidade que o projeto enfrenta é urgente. Segundo dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), no Brasil, cerca de 4 milhões de meninas não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais. Além disso, muitas faltam às aulas durante o período menstrual por não terem condições adequadas de higiene, o que impacta diretamente no desempenho escolar e na permanência na educação.
Diante desse cenário, o “Fluxo com Respeito” se firma como uma política pública essencial, que reconhece uma necessidade real e histórica. Mais do que distribuir absorventes, o projeto distribui dignidade, informação e a certeza de que cuidar das meninas de hoje é investir no futuro de toda a sociedade.


